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Mai 13


A partir do mês de maio, nas nove ilhas dos Açores, sem exceção, respira-se um ambiente festivo, de caráter genuinamente popular. São as Festas em louvor do Divino Espírito Santo.



Não há freguesia que não tenha um Império. As ruas são engalanadas com verduras, lâmpadas e bandeirinhas. Prepara-se o quarto do Espírito Santo, a Despensa da carne e a Despensa da massa sovada.
Os mordomos, as comissões das festas e as dezenas de voluntários, juntam-se às celebrações, dando o seu melhor para homenagear o Divino Espírito Santo e não se cansam na realização das inúmeras tarefas, associadas aos festejos, que vão desde a decoração à distribuição das pensões.
As sopas são feitas em série e em grandes quantidades, para serem servidas numa refeição comunitária, oferecida a todos quantos assim o desejem.

O momento da partilha das sopas é, por excelência, um dos mais esperados, porém solene, das Festas do Divino Espírito Santo.



É a altura em que é sublimado o verdadeiro sentido comunitário, de solidariedade e de partilha, inerente às Festas do Espírito Santo.

Preparam-se com enlevo as mesas, onde se congregam dezenas de pessoas, para partilharem o prato principal que são as sopas do Espírito Santo.

As festas do Espírito Santo fazem parte da tradição e da alma dos açorianos! É um culto secular que privilegia a vivência de atitudes e a prática de valores, verdadeiramente humanistas e solidários, em que a partilha, através da distribuição de alimentos pelos mais pobres, as refeições oferecidas a todas pessoas, e o convívio entre todas as gerações e classes sociais, são uma referência.
Esta congregação de intenções e peculiar convívio, é sempre abrilhantado por músicas, cantares, desgarradas, bazar, e, muitas vezes, por arrematações, cujo lucro reverte a favor das festas. 

Não há ilha, das nove que compõem o arquipélago dos Açores, onde não sejam servidas as sopas do Espírito Santo, que é uma sopa de carne, temperada com hortelã, famosa por integrar o menu dos festejos do Divino Espírito Santo. As refeições incluem também carne assada, acompanhada com vinho de cheiro, ou laranjada, massa sovada, pão de leite e, muitas vezes, arroz doce.


Porém, em todas as ilhas, e até mesmo, de freguesia para freguesia, a receita e a apresentação das famosas e saborosas sopas, é diferente, dependendo dos usos e costumes locais, e até das cozinheiras que emprestam o seu trabalho e as confecionam com enlevo e mestria.



 A receita das sopas é diferente, de ilha para ilha, e até de lugar para lugar. 


A sequência ritual das Festas do Espírito Santo concede um lugar de relevo a um conjunto de refeições, dádivas e distribuições de alimentos, como as pensões, de irmão e de criador. Nestas dádivas destacam-se, claro está, as tradicionais e perfumadas sopas do Espírito Santo, feitas à base de carne de vaca cozida e de fatias de pão de trigo. Sobre o caldo das sopas, aromatizado com hortelã, frequentemente, são colocados pedaços de carne assada ou de alcatra, receita tradicional da ilha Terceira. 

Tais festividades apresentam uma importante dimensão religiosa, fortemente aliada às relações interpessoais, tanto entre os habitantes locais, como de todos quantos a eles se associam, provenientes das latitudes distantes onde se estabeleceram, em especial, de países como os Estados Unidos da América, o Canadá e a Bermuda.

Estes festejos contrariam as leis dominantes da mentalidade atual que vive baseada "no interesse e na eficiência", opina Manuel Madureira Dias, no texto intitulado: "Com o Espírito Santo rumo ao ano 2000".



Por isso, continua o referido autor, "poucas coisas têm uma força tão irresistível como o gesto gratuito do dom, porque contradiz a lógica fria do lucro". Para que o Espírito Santo alimente em nós a esperança e a torne eficaz precisa de encontrar recetividade e cooperação. As festas dos Espírito Santo são um exemplo disso.



Os sete dons do Espírito Santo são:
Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor a Deus.









publicado por Isabel Botelho às 04:26

1 comentário:
Hoje vai ser esse o meu almoço!
O LADO B por Isabel Botelho a 9 de Junho de 2013 às 12:37

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