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Mai 14

 

Todas as artérias, da cidade de Ponta Delgada, por onde passa a procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres, realizada, todos os anos, no quinto domingo, a seguir à Páscoa, são carinhosamente engalanadas com artefatos festivos como bandeiras, algumas feitas à medida, com este propósito; arranjos florais; vistosas e ricas colchas - bordadas sobre nobres materiais, tricotadas em croché, ou lindas mantas de retalhos, criativamente conjugados em tiras e quadrados, formando caprichosos desenhos geométricos - que são exibidas nas varandas ou nas janelas.

 





 

 

 

 

Semanas antes da procissão, o Mosteiro da Esperança, todos os anos apresenta belissímas combinações de arranjos. A Praça 5 de Outubro, mais conhecida por Campo de São Francisco, e seus arredores, são preparados e enfeitados criteriosamente, com milhares de lâmpadas, numa profusão de cores zelosamente combinadas; com mastros, que ostentam bandeiras, e até com flores e verduras, conferindo ao espaço um deslumbrante ar de festa.

 

 

 Mas são os tapetes coloridos, meticulosamente compostos com flores, ramagens, serradura e farelo tingido, nas mais garridas cores, que forram o chão, para a passagem do Senhor, que anunciam a importância da procissão e atestam a devoção dos habitantes de Ponta Delgada. É uma tarefa que envolve muitas pessoas, num trabalho realizado ainda na manhã de domingo, mas que requereu uma criteriosa preparação, nos dias que o antecederam.



 
 

O trânsito automóvel é interrompido, sendo as ruas vedadas, permitindo aos habitantes da cidade de Ponta Delgada, a criação dos tapetes coloridos,  que são autênticas e efémeras obras de arte popular, que cobrem o chão por todo o trajeto da procissão.

A maioria dos tapetes requer uma estrutura, que serve de molde, na sua execusão.


 
 

 



 


















 

 


 Imagem do coreto captada o ano passado, quando ainda era redeado por um lago, que, quanto a mim deveria ter sido mantido.
O Coreto depois das obras, já sem o lago.

 

 

 

 
 
Largas centenas de pessoas assiste ou incorporam-se na procissão, que tem uma ordem específica e rigorosa. 
A abrir, o guião, com a coroa de espinhos dourada, ao que se segue duas longas filas, por vezes colunas, de homens com opas, muitos com círios, outros descalços, no cumprimento de promessas, intercalados por bandas filarmónicas. 

 

 

Seguem-se associações juvenis, transportando guiões de cores garridas, crianças vestidas de anjos, alunos do seminário, o clero micaelense e sacerdotes convidados, todos eles a precederem a veneranda imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres, transportada sob um docel de veludo e ouro, num trono decorado de delicadas flores tecidas em seda e pano, muitas ainda no século XVIII.
O cortejo continua e, após a imagem, seguem-se os dignatários da Igreja Católica, representantes das congregações religiosas sediadas em S. Miguel e centenas de senhoras, vestidas de escuro - quase sempre preto - no cumprimento de promessas. Muitas seguem descalças, com véus negros a cobrir a cabeça e, são às dezenas as que transportam uma carga de círios, nalguns casos o correspondente ao seu próprio peso, como sinal de agradecimento por uma graça recebida do Senhor.
A fechar o extenso cortejo, seguem-se as mais altas autoridades militares e civis, representações e associações sociais e desportivas.
 
A grande procissão recolhe, já quase de noite, mais de quatro horas depois da circulação, num trajeto definido há muitos anos, pelas principais ruas de Ponta Delgada.
 
A grandiosa procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres, tem um giro tradicional percorrendo Ruas e Praças. 
Habitualmente, sai da Igreja de Nª. Senhora da Esperança e contornando o Campo de São Francisco, Rua Luís Soares de Sousa, Rua Açoriano Oriental, Praça da República, Rua dos Mercadores, Rua Ernesto do Canto, Rua Tavares Canário, Rua do Peru, Rua do Mercado, Rua de São João, Rua João Moreira, Rua Dr. Guilherme Poças, Largo do Colégio, Rua Carvalho Araújo, Rua Machado dos Santos, Rua Marquês da Praia e Monforte, Rua 6 de Junho, Rua 16 de Fevereiro, Largo 2 de Março, Rua Diário dos Açores, Rua Dr. Mont'Alverne de Sequeira, recolhendo em seguida ao Convento.
Isabel Botelho
 
publicado por Isabel Botelho às 12:03

1 comentário:
Pedaços da fé de um povo.

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