25
Abr 14
Celeste Caeiro, atualmente com 80 anos, foi a mulher que fez do cravo a flor símbolo da revolução de 25 de abril em Portugal.
Quarenta anos depois, "Celeste dos cravos", como passou a ser conhecida, relembra aquele momento como um dos mais significativos da sua vida.

Foi ela quem, no dia 25 de Abril de 1974, distribuiu cravos pelos militares que levavam a efeito um golpe de estado para derrubar o regime ditatorial liderado por Marcelo Caetano, tendo, por este motivo, a revolução ficado conhecida pela Revolução dos Cravos.

Celeste Caeiro trabalhava, à altura da Revolução, num restaurante na Rua Braancamp em Lisboa. O restaurante, inaugurado a 25 de Abril de 1973, comemorava um ano de existência nesse dia, e a gerência resolveu oferecer flores às senhoras clientes, e um vinho do Porto aos cavalheiros.

Porém, como estava a decorrer o golpe de estado, o restaurante nem chegou a abrir. O gerente aconselhou os funcionários a regressarem a casa, e deu-lhes os cravos para levarem consigo, já que não poderiam ser distribuídos pelas clientes. Cada um levou então levou cravos vermelhos e brancos.

Para regressar a casa, Celeste apanhou o metro para o Rossio e dirigiu-se ao Chiado, onde se deparou com os tanques dos revolucionários.

 

 

 

 

 Aproximou-se de um dos tanques, para indagar o que se passava, ao que um soldado lhe respondeu:

"Nós vamos para o Carmo para deter o Marcelo Caetano. Isto é uma revolução!". 
Consta que o soldado lhe pediu um cigarro, mas ela não tinha nenhum. Celeste lembrou-se de comprar algo para os soldados comerem, mas as lojas todas tinham sido encerradas. A única coisa que tinha para lhes dar eram os molhos de cravos, ao que lhe disse: 
"Se quiser tome, um cravo oferece-se a qualquer pessoa". 

 

 

 

 O soldado aceitou e colocou a flor no cano da espingarda. 

 

 

 

 

 

 

Celeste foi então dando cravos aos soldados que ia encontrando pelo caminho, desde o Chiado, até ao perto da Igreja dos Mártires.

 

Isabel Botelho

 

 

publicado por Isabel Botelho às 17:50

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