04
Mai 13

 

Andei a tirar umas fotografias à Roda do Senhor Santo Cristo dos Milagres e, como fiquei curiosa, resolvi pesquisar sobre o assunto. Encontrei um artigo, da autoria de Ana Coelho, que vou partilhar, não na integra, porque é muito extenso, mas vale a pena ser lido.
 
Ponto de encontro no passado e presente:

      A roda das alegrias e tristezas

A Roda.
Um dos pontos de passagem obrigatória a quem vem às festas do Santo Cristo dos Milagres.
 
 
Quem ali vai nunca está só e a companhia é sempre a mais bem-vinda de todas. Vêm para estar com o Senhor, ouvir o que Ele tem para lhes dizer e para falar com Ele, com o coração e de alma aberta.
 
 
 
Querem levar consigo algo que lhes lembre, de forma mais directa, o que cá vieram ver e sentir e, como tal, as medalhas, as pagelas, as fitas ou os terços do Senhor dos Milagres são uma constante da Roda que gira, todos os dias festivos e durante os restantes 360 dias do ano.
 

 

 

 

 

 

Os “expostos” da Roda
Mas a Roda não viveu sempre tempos de alegria e de agradecimento. Tempos houve em que, tal como nas Misericórdias, o Convento da Esperança e a sua Roda desempenharam um papel de recolha de crianças, numa resposta à sociedade que “rejeitava” alguns dos seus filhos.
As dificuldades com que se deparavam algumas famílias, a partida de um pai num navio, a morte de um dos progenitores, assim como a doença ou a incapacidade física de um familiar levavam a que o número dos “expostos” ou “enjeitados” fosse considerável. Com este sistema, que tinha como finalidade apoiar as pessoas mais carenciadas, pretendia-se reduzir a mortalidade infantil e evitar que os bebés não morressem, sem ter recebido o sacramento do baptismo.
A Roda era então uma estrutura de madeira, de forma cilíndrica, que servia para depositar, anonimamente, crianças. Este cilindro girava sobre um eixo vertical central e encontrava-se embutido numa parede ou numa janela, possuía duas ou quatro aberturas e quando se rodava, permitia o acesso, por um lado, a quem se encontrava no interior da Casa da Roda (neste caso do Convento) e, do lado oposto, a quem estava no exterior. Internamente, a Roda era composta por paredes verticais, de modo que, quem estivesse dum lado, nunca conseguia ver quem se encontrava do lado oposto. Assim, o anonimato era garantido e a criança era recolhida logo que a rodeira ouvia o som da sineta. A recolha era também feita, tanto de dia como de noite e muitos dos “expostos” faziam-se acompanhar por marcas ou sinais identificadoras dos seus pais, bem como de protecção (data e hora de nascimento; nome pretendido; explicação sobre as razões que levavam à exposição do descendente; pedido específico para a criança ser bem tratada; descrição das suas características físicas ou do seu estado de saúde; relação do enxoval que acompanhava o bebé, solicitação para não entregar a criança a ama residente fora da ilha; nota referindo a intenção de recuperar o filho, logo que tal viesse a ser possível ou ainda a indicação de outros elementos considerados pertinentes.
Parte desta informação era ainda acompanhada em alguns casos – não muitos – por algo que pudesse estabelecer uma ligação entre a criança e os progenitores, como sejam um pedaço de tecido ou fita, um cartão, uma trança do cabelo da mãe, um colar, entre outros acessórios.
Para a criação dos “expostos”, as Misericórdias e os Conventos recorriam a amas de leite (nos primeiros tempos de vida) e a amas de seco (para a educação e formação). Por volta dos sete anos, as crianças poderiam ser entregues a famílias que tinham como principal objectivo ensinar-lhes um ofício, de modo a dar-lhes um possível aceso a um melhor futuro, sendo que, apenas uma pequena parte dos “expostos” acabasse por ser reclamada pelos pais. Nestes casos, caso as famílias possuíssem bens, tinham de pagar uma verba por conta da criação, educação e formação, até então dada ao menor. 
 
27/05/2011
Ana Coelho (com recurso a material de investigação de Jorge do Nascimento Cabral), in Correio dos Açores.
publicado por Isabel Botelho às 16:24

01
Mai 13


O Dia do Trabalhador ou Dia Internacional dos Trabalhadores é celebrado anualmente no dia 1 de Maio, sendo feriado em muitos países do mundo, como por exemplo, Portugal e Brasil. 
No calendário litúrgico celebra-se a memória de São José Operário, por tratar-se do santo padroeiro dos trabalhadores.

Dia do Trabalhador em Portugal



Em Portugal, só a partir de Maio de 1974, (o ano da revolução do 25 de Abril), é que se voltou a comemorar livremente o Primeiro de Maio e este passou a ser feriado. Durante a ditadura do Estado Novo, a comemoração deste dia era reprimida pela polícia.


O Dia Mundial dos Trabalhadores é comemorado por todo o país, sobretudo com manifestações, comícios e festas de carácter reivindicativo, quase sempre, promovidas pela central sindical CGTP-IN, (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical), nas principais cidades de Lisboa e Porto, assim como pela central sindical UGT, (União Geral dos Trabalhadores).

Este ano de 2013, em particular, a manifestação, apoiada pela UGT, é liderada por Carlos Silva, o seu novo secretário geral, que substitui João Proença, assume-se de grande importância e impacto. Com uma adesão massiva, num desfile de protesto contra as fortes medidas de austeridade, impostas pelo governo de Pedro Passos Coelho, que incluem cortes nos salários e nas pensões, para além da perspetiva de mais despedimentos, numa altura em que os números do desemprego são muito preocupantes. Os discursos da UGT decorrem nos Restauradores.

O desfile da CGTP, cujo secretário geral é Arménio Carlos, reuniu também milhares de pessoas, e avançou, ao som das “músicas de abril” pela Avenida Almirante Reis, desde a Martim Moniz, em direção à Alameda Afonso Henriques, em Lisboa, norteado pelas mesmas preocupações: a defesa dos direitos e garantias dos trabalhadores e a luta contra a precariedade e o desemprego e, em especial, ao memorando da denominada "Tróica".


História
Em 1886, realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago nos Estados Unidos.
Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e teve a participação de milhares de pessoas. Nesse dia teve início uma greve geral nos EUA. No dia 3 de Maio houve um pequeno levantamento que acabou com uma escaramuça com a polícia e com a morte de alguns manifestantes. No dia seguinte, 4 de Maio, uma nova manifestação foi organizada como protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo terminado com o lançamento de uma bomba, por desconhecidos, para o meio dos policiais que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A polícia então abriu fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas. Estes acontecimentos passaram a ser conhecidos como a Revolta de Haymarket.


Três anos mais tarde, no dia 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista, reunida em Paris, decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar anualmente uma manifestação com o objetivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A data escolhida recaiu no dia 1 de Maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago. Em 1 de Maio de 1891, uma manifestação no norte de França é dispersada pela polícia resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serviu para reforçar o dia como um dia de luta dos trabalhadores e, meses depois, a Internacional Socialista de Bruxelas proclama esse dia como dia internacional de reivindicação de condições laborais.



Em 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio desse ano, dia feriado. Em 1920, a Rússia adota o 1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos outros países.


Apesar de até hoje os estadunidenses se negarem a reconhecer essa data, como sendo o Dia do Trabalhador, em 1890, a luta dos trabalhadores estadunidenses conseguiu que o Congresso aprovasse que a jornada de trabalho fosse reduzida de 16 para 8 horas diárias.



publicado por Isabel Botelho às 16:43

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