24
Jun 13



Faz parte do meu imaginário de infância e da minha adolescência, lavar a cara, na manhã do dia 24 de junho, de cada ano com o "sereno de São João". 
Vi minha mãe, ano após ano, proceder a um ritual tão natural, que era o de apanhar ervas aromáticas como: hortelã, maria luísa, alecrim, cedro... e misturar num recipiente com água, à qual também incorporava pétalas de rosas.
Tal mistura repousava, durante toda a noite, ao relento, onde recebia o "sereno", entenda-se o orvalho da noite. Pele manhã não há sensação melhor doque refrescar o rosto com a aromatizada infusão.
Mesmo depois de casada dei continuidade a esse costume e este ano não fugiu à regra e a tradição cumpriu-se.  


A infusão de ervas aromáticas prepara-se de véspera
... e deixa-se durante a noite ao relento...

... para absorver o sereno de S. João.







Além de perfumada...

... refrescante e tonificante...

... é também decorativa.

E resta para os dias seguintes... 

Encontrei este texto que fala de outras tradições de São João, na página Porto XXI, e que não resisti em reproduzir, na íntegra, com o devido respeito e reconhecimento a quem o escreveu:

"Festa cíclica, de raiz pagã, que assenta, fundamentalmente em “sortes” amorosas, encantamentos e divinações que se devem relacionar, por um lado, com o casamento, a saúde e a felicidade, mas que andam também estreitamente ligadas aos antigos cultos pagãos do Sol e do fogo e às virtudes das ervas bentas, ao orvalho, às fogueiras, à água dos rios, do mar e das fontes.Quem saltar a fogueira na noite de S. João, em numero ímpar de saltos e no mínimo três vezes, fica por todo o ano protegido de todos os males.

Diz a tradição que as cinzas de uma fogueira de S. João curam certas doenças de pele. Para certos males, são benéficos os banhos que se tomem na manhã do dia de S. João, mas antes do Sol nascer. No Porto,  os que se tomavam nas praias do rio Douro ou nos areais da Foz, valiam por nove...
As orvalhadas têm a ver com a fecundidade. Uma mulher que se rebole de madrugada sobre a erva húmida dos campos (“...para tomar orvalhadas / nos campos de Cedofeita”) fica apta para conceber. Segundo um conceito antigo as orvalhadas eram entendidas como o suor ou a saliva dos deuses da fertilidade. Uma outra velha tradição assegura que os namoros arranjados pelo S. João são muito mais duradouros do que os que se formam pelo Carnaval “que não vêm chegar o Natal..."

Em Beja põem-se, numa tábua, 12 montinhos de sal, aos quais se dão os nomes dos meses.
Passam depois a tábua pelo fumo de uma fogueira e deixam-na ficar toda a noite ao relento da manhã.
Antes de o sol nascer, correm à tábua para examinarem qual dos montinhos de sal está mais húmido, e é então que sabem quais os meses em que choverá mais, segundo os nomes que lhes deram e a humidade de cada um. 


Em Trás-os-Montes, acreditava-se que o costume de as raparigas cortarem as pontas do cabelo e, antes do nascer do Sol, as colocarem sobre uma silva mansa fazia com que as pontas não voltassem a espigar.

Por todo o País, criaram-se estas lendas em volta da noite de São João.
Em Lisboa diz-se que se na noite de São João a rapariga põe a mesa com dois pratos, talheres e comida e à meia-noite começa a comer, no lugar vazio surge-lhe a figura do futuro noivo.
No Algarve, segundo a tradição local, enquanto as raparigas dançavam em redor de um mastro enfeitado com madressilva e flores de São João, os rapazes saltavam a fogueira, o que os tornava homens adultos e protegia as crianças das doenças.

As mães passavam por cima das chamas (sem queimar, claro) as crianças doentes ou fracas, e para todos era bom dizer quando saltavam a fogueira:

"Fogo no sargaço,
saúde no meu braço.
Fogo no rosmaninho,
saúde no meu peitinho."

A noite de São João é considerada mágica desde a Idade Média. Diz-se que as "mouras encantadas" deixam a forma de cobras, com que vivem todo o ano, e vêm à tona da água com figura humana.
Na madrugada de São João vão as mouras estender os seus tesouros à orvalha do campo. Esses tesouros ficam aí encantados sob a forma de figos. Se alguém passa, os apanha e não os come, transformam-se em verdadeiros tesouros.
Se, porém, a pessoa que os apanha os come, reduzem-se logo a carvão." 


http://www.portoxxi.com/cultura/ver_folha.php?id=25 

publicado por Isabel Botelho às 16:16

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