Foi ela quem, no dia 25 de Abril de 1974, distribuiu cravos pelos militares que levavam a efeito um golpe de estado para derrubar o regime ditatorial liderado por Marcelo Caetano, tendo, por este motivo, a revolução ficado conhecida pela Revolução dos Cravos.
Celeste Caeiro trabalhava, à altura da Revolução, num restaurante na Rua Braancamp em Lisboa. O restaurante, inaugurado a 25 de Abril de 1973, comemorava um ano de existência nesse dia, e a gerência resolveu oferecer flores às senhoras clientes, e um vinho do Porto aos cavalheiros.
Porém, como estava a decorrer o golpe de estado, o restaurante nem chegou a abrir. O gerente aconselhou os funcionários a regressarem a casa, e deu-lhes os cravos para levarem consigo, já que não poderiam ser distribuídos pelas clientes. Cada um levou então levou cravos vermelhos e brancos.
Para regressar a casa, Celeste apanhou o metro para o Rossio e dirigiu-se ao Chiado, onde se deparou com os tanques dos revolucionários.
Aproximou-se de um dos tanques, para indagar o que se passava, ao que um soldado lhe respondeu:
"Nós vamos para o Carmo para deter o Marcelo Caetano. Isto é uma revolução!".
Consta que o soldado lhe pediu um cigarro, mas ela não tinha nenhum. Celeste lembrou-se de comprar algo para os soldados comerem, mas as lojas todas tinham sido encerradas. A única coisa que tinha para lhes dar eram os molhos de cravos, ao que lhe disse:
"Se quiser tome, um cravo oferece-se a qualquer pessoa".
O soldado aceitou e colocou a flor no cano da espingarda.
Celeste foi então dando cravos aos soldados que ia encontrando pelo caminho, desde o Chiado, até ao perto da Igreja dos Mártires.
Isabel Botelho






